Novas “plataformas” musicais e Reactable
A tecnologia sempre influenciou a música e de diversas formas possíveis, desde o formato (LP, CD e MP3) até a interação. Porém, para mim, não consigo ver essa tecnologia digital influenciando em instrumentos. Explicarei…
Na Wikipedia encontramos o seguinte:
Em princípio, qualquer objeto pode ser usado para produzir sons e utilizado na música, mas costuma-se utilizar este termo para designar objetos feitos especificamente com este objetivo. Isso se deve ao fato de que, em um instrumento musical, é possível controlar com mais precisão as características do som produzido. Em geral considera-se um som como musical quando podemos controlar uma ou mais de suas características: timbre, altura (grave, médio e agudo), duração (do som e/ou do silêncio) e intensidade.
Ok, então nisso tudo que você fizer e que emita som pode ser um instrumento musical. Mas qual o limite de um instrumento digital?
Pense comigo, um violão tem suas características e você não pode fugir daquele som característico, mas quando você faz uma modificação nele (ex: tamanho, número de cordas e etc), eele deixa de ser um violão e passa a ser outro instrumento, como viola caipira (10+ cordas) ou alaúde (formato). Ou seja, um violão é um violão e ponto final!
Os instrumentos digitais não são assim por serem programados e como qualquer coisa programável pode mudar frequentemente. Sendo assim, um sintetizador digital (atenção: não estou falando de sintetizadores analógicos) não é um instrumento, pois você pode configurar ele da forma que quiser para fazer os sons que você quiser. Logo a única característa dele que você pode falar é “faz sons digitais” e quando você quer detalhar, você não tem como falar que possui cordas, presas a algum determinado lugar. Você cai em especificações técnicas sobre canais, frequências e etc! Por isso gosto de pensar que objeto que fazem som digital são plataformas e não instrumentos.
Gosto muito dessas “plataformas” musicais, pois a criatividade é o limite! E é por isso que me apaixonei quando vi a Reactable. Lembro a primeira vez que vi uma, no Tim Festival de 2007 durante o show da cantora Bjork. Nunca fui um grande fã da Bjork, então a maior parte do show fiquei babando prestando atenção no telão, que mostrava uma camera acima da Reactable. Até então nunca tinha visto algo parecido, foi chocante para mim ver aquela coisa que fazia sons sensacionais e mesmo sem compreender nada do funcionamento daquilo, eu já sabia que seria algo absurdamente inovador. Quando voltei para casa foi aquela batalha no Google – encontrar o nome, descobrir o funcionamento, possibilidades e limitações. Compartilho com vocês o pouco que sei sobre isso.
Princípio de Funcionamento
É uma mesa translúcida, como se fosse um display em backlight e utilizada em locais escuros (acredito que pela melhor visualização, talvez). Sobre a mesa você posiciona blocos chamados de tangibles, que são “lidos” pela mesa gerando os sons e imagens ao seu redor como ondas, circulos, linhas e etc. Cada tangible é um VCO (Voltage Controlled Oscilator) e as imagens servem para você controlar/modificar o som que será produzido. Porém os tangibles são capazes de interagir com outros, seu funcionamento parece com órbita de satélites e planetas, que de acordo com o posicionamento e importância se atrai por outros, assim dois tangibles próximos acabam produzindo um som diferente, formando um “novo tangible” virtual.
Parece complicado né? Mas veja o video tutorial no final do post, que você irá entender como é fácil. Espero que fique surpreso como eu fiquei também.
Ficou curioso e é como eu que gosta de “enxergar com a ponta dos dedos”? Na Campus Party 2010 terá uma oficina da Reactable, onde mostrará as experiências que as pessoas tiveram com a plataforma e quem sabe você (e eu, claro!) podemos brincar por algum tempo nela.
Links:
Reactable – www.reactable.com
Campus Party 2010 – Oficina Reactable
Apresentação da Bjork usando Reactable – Youtube
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Tags:bjork, campus party, digitais, instrumentos, música, reactable
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